Projeto inaugural do Tear 4

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sábado, 22 de maio de 2010

Ainda sobre o filme... O Angelus Novus e Walter Benjamin



"Nunca houve um documento de cultura que também não fosse um documento da barbárie" (Walter Benjamin)

O resgate da memória não se dá pela construção de uma linha contínua da militância de esquerda, mas por fragmentos que freqüentemente são tomados desconexos. Momentos violentos de choque em que o tempo se contraiu, as coisas aconteceram muito rápido, de modo incontrolável e imprevisível, lançando as pessoas envolvidas entre a utopia dos vencidos e a barbárie dos vencedores. "Utopia e Barbárie", com efeito, embute a filosofia da história de Walter Benjamin, e não a toa cita diretamente uma das célebres teses desse marxista judeu, surrealista e melancólico. Também não é coincidência a presença de Leandro Konder, acadêmico estudioso de Benjamin, dentre os entrevistados.É a sua Nona Tese, escrita pelo filósofo alemão em 1940, pouco antes de ser encurralado pelos nazistas e --- assim como a guerrilheira brasileira Iara Iavelberg em 1971 --- suicidar-se.Eis o texto, ipsis litteris também no documentário de Tendler:(notas do comentário crítico de Bruno Cava,do blog quadradosdeloucos.blogspot.com)

"Existe um quadro de Klee intitulado 'Angelus Novus'. Nele está representado um anjo, que parece estar a ponto de afastar-se de algo em que crava o seu olhar. Seus olhos estão arregalados, sua boca está aberta e suas asas estão estiradas. O anjo da história tem que parecer assim. Ele tem o seu rosto voltado para o passado. Onde uma cadeia de eventos aparece diante de nós, ele enxerga uma única catástrofe. Ele bem que gostaria de demorar-se, de despertar os mortos e juntar os destroços. Mas do paraíso sopra uma tempestade que se emaranhou em suas asas e é tão forte que o anjo não pode mais fechá-las. Essa tempestade o impele irresistivelmente para o futuro, para o qual dá as costas, enquanto o amontoado de escombros diante dele cresce até o céu. O que nós chamamos de progresso é essa tempestade."

Um comentário:

  1. A título de curiosidade e informação, pesquisei na Wikipédia e passo o que fui procurar saber


    Iara Iavelberg
    Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
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    Iara Iavelberg (São Paulo, 7 de maio de 1944 — Salvador, 20 de agosto de 1971) foi uma militante da luta armada no Brasil durante a ditadura militar.

    Durante a militância, tornou-se companheira de Carlos Lamarca, com quem se refugiou na Bahia, em 1971.

    As causas e até a data de sua morte permanecem envoltas em mistério. A data oficial é contestada por relatório do Ministério da Aeronáutica, segundo o qual ela teria se suicidado em 6 de agosto, acuada pela polícia em uma residência em Salvador. Alguns militantes, presos no DOI-Codi de Salvador, dizem ter ouvido seus gritos quando era torturada, o que contradiz a versão do Ministério da Marinha, segundo a qual ela teria sido morta durante "ação de segurança"[1].

    Iara, antes de aderir à luta armada, era psicóloga e professora universitária.

    O Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo prestou uma homenagem à antiga aluna e deu seu nome ao centro acadêmico, passando a ser chamado: Centro Acadêmico Iara Iavelberg.

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