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segunda-feira, 23 de agosto de 2010
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Presença do analista...quem, onde, o quê?
“A presença do analista é ela própria uma manifestação do inconsciente”.
“O inconsciente freudiano é a soma dos efeitos da fala, sobre um sujeito, nesse nível em que o sujeito se constitui pelos efeitos do significante”.
A grande novidade desse texto para mim é o esclarecimento de que o inconsciente freudiano se apresenta diante da presença do analista, enquanto testemunha da perda do sentido lógico cartesiano.
E que o acatamento e o tratamento desse inconsciente que se manifestará só será possível diante da presença do analista.
A abertura do inconsciente do sujeito se dará no momento em que sua certeza rateia, numa lógica de orientação cartesiana.
Lembrando o inconsciente freudiano como esse campo de linguagem onde a fala rateia perdendo seu sentido lógico, mas ao mesmo tempo mostrando a evidência de uma outra lógica, que reflete o modo particular do sujeito aprender a linguagem, que não está submetida a linguagem do Grande Outro, nesse momento singular, onde o simbólico falha em sua abordagem ao Real.
Por outro lado, é bom ressaltar que o simbólico sempre falhará ao abordar o Real, pois o significante não consegue tudo dizer. E exatamente por isso se diz do simbólico como significante que toca o Real.
Também aí entra a questão da causa. Já que é impossível tudo dizer, a linguagem traz em si a marca do impossível. Só se representa aquilo que não está presente. É ao mesmo tempo a origem e a possibilidade.
A neurose tem a força de obstruir a abordagem do Real pelo Simbólico. Através do processo de análise o sujeito se redimensiona, se reatualiza no des-encontro com o real.
Depois do luto ( através da análise) desse des-encontro, o analisando incluirá um não saber no saber, que tem a ver com o saber do inconsciente, da falta-a-ser, que posiciona o sujeito diante do movimento do desejo.
Simone Caporalli
Nó górdio
Alexandre corta o nó górdio, pintura do século XIX
A provável lenda do nó górdio remonta ao século VIII a.C.
Conta-se que o rei da Frígia (Ásia Menor) morreu sem deixar herdeiro e que, ao ser consultado, o Oráculo anunciou que o sucessor chegaria à cidade num carro de bois. A profecia foi cumprida por um camponês, de nome Górdio, que foi coroado. Para não se esquecer de seu passado humilde ele colocou a carroça, com a qual ganhou a coroa, no templo de Zeus. E a amarrou com um nó a uma coluna, nó este impossível de desatar e que por isso ficou famoso.
Górdio reinou por muito tempo e quando morreu, seu filho Midas assumiu o trono. Midas expandiu o império, porém, ao falecer não deixou herdeiros. O Oráculo foi ouvido novamente e declarou que quem desatasse o nó de Górdio dominaria toda a Ásia Menor.
Quinhentos anos se passaram sem ninguém conseguir realizar esse feito, até que em 334 a.C Alexandre, o Grande, ouviu essa lenda ao passar pela Frígia. Intrigado com a questão, foi até o templo de Zeus observar o feito de Górdio. Após muito analisar, desembainhou sua espada e cortou o nó. Lenda ou não o fato é que Alexandre se tornou senhor de toda a Ásia Menor poucos anos depois.
É daí também que deriva a expressão "cortar o nó górdio", que significa resolver um problema complexo de maneira simples e eficaz.
Pesquisa realizada por Simone Caporali
domingo, 15 de agosto de 2010
"O Dinheiro", Robert Bresson, seus "modelos" e "vozes brancas"...
"Dinheiro", de Robert Bresson, seria estímulo ao debate sobre o "núcleo da repetição", este "esvaziado de afeto", "núcleo da transferência", tomado por mim, no último encontro de que participei no Tear 4, como o Eine Echte Liebe, um amor de verdade...um amor de real?
Robert Bresson é um dos raros cineastas que não fazem concessão de nenhuma ordem: seus filmes sempre foram rigorosamente realizados sem a utilização de atores profissionais e tudo o que os cerca (efeitos teatrais dos gestos, atitudes e vozes). Seu tom lírico, límpido, litúrgico se opõe ao drama psicológico e ao expressionismo. Comparados a Bresson, os realizadores em sua maioria, parecem meros funcionários da indústria do espetáculo. Tudo isso expIica, talvez, a dificuldade que ele encontrou para realizar seus filmes (doze em 40 anos).As adaptações de Robert Bresson - Les Dames du Bois de Boulogne, a partir de Diderot; Le Journal d' un Curé de Campagne e Mouchette, a Virgem Possuída, a partir de Georges Bernanos: Une Femme Douce e Quatro Noites de um Sonhador, a partir de Dostoievski, e L'Argent a partir de Tolstoi - são ao mesmo tempo muito e muito pouco fiéis. Bresson torna seus filmes mais "literários" que os romances nos quais ele se baseia. Por exemplo, não só não transpõe em diálogo as passagens do livro em que o pároco d' Ambricourt relata determinada conversa, como também impede que os verdadeiros diálogos (discurso direto) sejam interpretados como no cinema e no teatro habituais: ele pede a seus atores - Bresson utiliza o termo "modelo", já que eles não têm nada dos atores convencionais - para dizê-los numa entonação recto tono, monocórdia, sem inflexão: são as chamadas vozes brancas dos modelos bressonianos, que falam como se escutassem suas próprias palavras ditas por um outro. Neste sentido, os diálogos perdem o valor de discurso direto e passam a valer como discurso indireto livre (enunciação fazendo parte de um enunciado que depende de uma outra enunciação): eu falo e, quando falo, é como se um outro falasse. Lembremos, de passagem, que Dostoievski e Bernanos são mestres do discurso indireto livre. Dostoievski dotava seus personagens de estranhas vozes. Em Quatro Noites de um Sonhador um deles diz: "quando você fala, dá a impressão de estar lendo um livro". É o caso dos atores do Diário de um Pároco de Aldeia, que falam como se estivessem lendo o livro de Bernanos, apontando, assim, para a materialidade da escritura do romance.As vozes brancas, monocórdicas, dos modelos de Bresson, têm pelo menos duas funções: de um lado, deixam pressentir que o que é dito não remete a nenhum sujeito determinado, pelo contrário, o sujeito de enunciação cai numa relação de indeterminação. Por outro lado, apontam para a materialidade e a sonoridade do discurso.Cada um dos filmes de Bresson narra a "evolução" espiritual de um personagem confrontada com os acontecimentos (situação ou história). Mas o que interessa a Bresson é a parte do acontecimento que transborda a sua realização, ou seja, a determinação espiritual. A história é horizontal, enquanto a determinação espiritual é vertical. O personagem bressoniano deve afrontar o acontecimento do interior; ele deve merecê-lo transformando-o no seu eterno contemporâneo. É o que Charles Peguy chamava de "internet' (eterno).O encontro do personagem e do acontecimento, a situação ou história, se realiza no espaço e no tempo, no presente abstrato e contínuo. Mas o verdadeiro encontro - a fé, a graça, o sacrifício, o amor - é a parte do acontecimento que não se confunde com o estado de coisas determinado (situações, corpos, enunciados etc.). 0 verdadeiro encontro esta sempre para acontecer ao mesmo tempo em que sempre aconteceu. "Amar", diz Guimarães Rosa, "é se unir a uma pessoa futura, única, a mesma do passado".No cinema de Bresson, a determinação espiritual13 se exprime através de um espaço regido pela fragmentação ou "espaço qualquer" (Gilles Deleuze). Deleuze mostrou em que consiste a novidade do espaço qualquer bressoniano. Trata-se de um espaço ou imagem que não prolonga ao infinito um estado de coisas e que não se encadeia segundo as relações sensório-motoras que o homem estabelece com o mundo. O "espaço qualquer" resulta de uma alternativa entre um estado de coisas e a virtualidade que o ultrapassa: é a parte do acontecimento que não se reduz ao estado de coisas determinado; é o mistério desse presente recomeçado acima descrito.
"No cinema de Bresson, os espaços, corpos e objeto não são mostrados inteiramente, eles são submetidos à fragmentação. A fragmentação para Bresson "é indispensável se não quisermos cair na representação. Ver os seres e as coisas em suas partes separadas, isolar essas partes. Torná-las independentes a fim de lhes dar uma nova dependência".A nova dependência significa que o cinema adquire uma nova dimensão perceptiva e afetiva: de um lado, o espaço se torna pura conjunção virtual, puro lugar do possível e, de outro, ele exprime o afeto enquanto potencialidade pura. Os espaços fragmentados são submetidos a encadeamentos rítmicos e tácteis variáveis, cuja conexão é dada pelo espírito, a alternância do espírito ou a escolha (Deleuze).
Pascal, Kierkegaard, Peguy, Bernanos e Bresson formam uma linha de pensadores moralistas e religiosos que se opõem à moral e à religião. Segundo Deleuze, com eles se desenvolve uma idéia muito interessante: a alternativa ou a escolha do espírito remete ao modo de existência daquele que escolhe e não ao combate, à oposição e à alternância do bem e do mal.
Para Bresson, a infâmia e a hipocrisia estão tanto do lado do mal quanto do bem, pois o homem do mal e o homem da incerteza só podem escolher na medida em que negam que tenham escolha, seja em virtude de uma necessidade moral ou religiosa, seja em virtude de um estado de coisas ou situação qualquer. A esses três tipos de personagens, Bresson opõe o personagem da escolha autêntica: o crente ou o homem de determinação espiritual, que escolhe escolher e, por isso mesmo, exclui todos os modos de vida que consistem em não ter escolha.
No seu último filme, “O Dinheiro” (1983), o diretor dispõe do controle completo de sua arte. Ao contar a história que gira em torno de uma nota falsa, Bresson aborda os seus principais temas (escolha, graça, predestinação) da forma com que ficou conhecido: suprimindo tudo aquilo que considera como desnecessário, para poder encontrar a essência e o inesperado por trás das imagens. E o fez nesse filme de forma impressionante, pois aqui, cada plano - visto como fragmentos - traz em si a sua causa e a sua conseqüência, o passado e o futuro, de tal modo que cada momento da cadeia de acontecimentos que cria é absoluto. A única maneira possível de liga-los é através das ousadas elipses visuais e sonoras.
(Pesquisa realizada na internet e notas do trabalho de André Parente, UFRJ )
Vale a sugestão de trabalho, para o Ocios do Ofício ?
Angela Porto
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Brincadeira boa...
é aquela que, na hora séria
deixa cadeira pra cada um sentar....
Intervalo nos estudos, tarde à toa, hora boa de olhar devagar por onde estreamos nossas espraiadas letras do caminho.
E assim apenas nos esperam, até Agosto:
o Endereço das tardes de segunda feira, os Textos a serem degustados até a última nuance do escrito, o cafezinho do entusiasmo e o provável silêncio da cautela, que dará passagem a algum novo a.con.tecido.
Do projeto inaugural, do Tear 4, foram estes os pontos fundadores, de abertura, cingidos e relançados à prova de fazer saber, com outros, a experiência inconjugável do desejo.
Reinvenção permanente de um transitar ético, que vai da intensão à extensão, para aí fazer retornar o que da verdade foi possível saber?
A vida segue...
Lucia Montes
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Alô! Alô! Da blogger ao blog, a insistência do vazio (um comentário)
Aqui se trança?..
Há que saber!
.Há que saber?
Há
que
saber?
Em fios necessários, oportunos à trama do trabalho, no Tear 4, o texto de Lucia Montes remarca a insistência do vazio, ao modo de cada um, se há do Um, que ouve um outro.
É engraçado pensar, no 'X-te' da questão... o incógnito, que há que saber.
Da exigência do trabalho à cordialidade da forma, não há necessariamente incompatibilidade.
O cordial é o que vem do coração.
Da questão que insiste, desde o que vem da espera ativa, em movimento, até o destino que é sempre o real, do wiederkern,
o coração da repetição...
O núcleo daquilo que se repete...
Alô? Alô?
O texto da Lúcia Montes insiste em que se con-fie!
Confiança em que do trabalho de um analista se diga! E se escreva!
Em comum, a causa forjada na castração.
Talvez num Tear 4, onde se possa tramar, tecer e fiar, sem se fiar.
Talvez a posta em ato, de uma “justa topologia” como sugere Lacan no Seminário 8.
“Justa topologia”, que venha nos recolocando, em nossos trabalhos, e na nossa experiência, na direção da retificação do conceito de transferência.
Desde um ‘no começo era o amor’, passando pelo estrutural da constituição do sujeito, ‘no começo era o Verbo’, pela reflexão ética da direção do tratamento, via a sustentação do desejo, até um ‘no começo é o ato’, o encontro com o real, encontro essencialmente faltoso.
“Justa Topologia”, precisa, apertada, tensionada, restrita..
Pois restrita e delicada é a função do analista de seu lugar de corte, corte que pretenda privilegiar o interstício significante, e que, pelos desfiladeiros da demanda, venha a conduzir o sujeito da análise a um ponto, então, “absolutamente original”.
Alô? Alô?
Você é psicanalista?
Há que saber!
.Há que saber?
Há
que
saber?
Em fios necessários, oportunos à trama do trabalho, no Tear 4, o texto de Lucia Montes remarca a insistência do vazio, ao modo de cada um, se há do Um, que ouve um outro.
É engraçado pensar, no 'X-te' da questão... o incógnito, que há que saber.
Da exigência do trabalho à cordialidade da forma, não há necessariamente incompatibilidade.
O cordial é o que vem do coração.
Da questão que insiste, desde o que vem da espera ativa, em movimento, até o destino que é sempre o real, do wiederkern,
o coração da repetição...
O núcleo daquilo que se repete...
Alô? Alô?
O texto da Lúcia Montes insiste em que se con-fie!
Confiança em que do trabalho de um analista se diga! E se escreva!
Em comum, a causa forjada na castração.
Talvez num Tear 4, onde se possa tramar, tecer e fiar, sem se fiar.
Talvez a posta em ato, de uma “justa topologia” como sugere Lacan no Seminário 8.
“Justa topologia”, que venha nos recolocando, em nossos trabalhos, e na nossa experiência, na direção da retificação do conceito de transferência.
Desde um ‘no começo era o amor’, passando pelo estrutural da constituição do sujeito, ‘no começo era o Verbo’, pela reflexão ética da direção do tratamento, via a sustentação do desejo, até um ‘no começo é o ato’, o encontro com o real, encontro essencialmente faltoso.
“Justa Topologia”, precisa, apertada, tensionada, restrita..
Pois restrita e delicada é a função do analista de seu lugar de corte, corte que pretenda privilegiar o interstício significante, e que, pelos desfiladeiros da demanda, venha a conduzir o sujeito da análise a um ponto, então, “absolutamente original”.
Alô? Alô?
Você é psicanalista?
domingo, 11 de julho de 2010
Aqui se trança? .... Há que saber!
“Quero marcar um horário. Você é Psicanalista? tô desesperado, você tem que me ajudar!...”
No campo restrito de meus recursos com as cores do desejo entrelaçam-se os fios precisos e necessários à trama do trabalho,
o meu trabalho, o trabalho do sonho, o trabalho de luto...
Um escuta, do outro,
a insistência do vazio que perpassa entre o telefone e a voz que já se fez ouvir que o analista deve estar lá,
onde a causa do desejo não pode se desviar, à deriva, nas palavras.
Mas o que quereria a voz que já indicou que ali há um ‘consultório’ de psicanálise?
De que? De quem ? Oferta?... ou Espera em movimento, que faz girar os discursos?
Sendo assim, por que não o TEAR 4, um ‘blog’ para tranças e traçados?...
e através disso trazer a público o labor-restos do trabalho clínico em vigor ?
Espaço para que alguém se arme de coragem e verifique, com outros, o que há do analista, reapresentando-o no possível dizer do movimento privado da escuta?
Recorrer à escrita da experiência arriscada do desencontro marcado de todo dia, e de cada vez,
e apresentar aqui a voz-escrita que não deixa escapar, na medida do possível,
a trança, dos discursos, das letras....
para então postar sua práxis, quem sabe, paradoxalmente, diante do ‘chiste’ da questão?
Pode ser este um dos alcances da verdade....., é uma aposta,
onde talvez ninguém se exima de uma
certa pegada no sintoma.
A psicanálise depende também desses ‘nós’.
Lúcia Montes.
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