Projeto inaugural do Tear 4

Projeto inaugural do Tear 4

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Brincadeira boa...


...brincadeira boa de brincar                                                                                                        
é aquela que, na hora séria
deixa cadeira pra cada um sentar....

Intervalo nos estudos, tarde à toa, hora boa de olhar devagar por onde estreamos nossas espraiadas letras do caminho.

E assim apenas nos esperam, até Agosto:

o Endereço das tardes de segunda feira, os Textos a serem degustados até a última nuance do escrito, o cafezinho do entusiasmo e o provável silêncio da cautela, que dará passagem a algum novo a.con.tecido.

Do projeto inaugural, do Tear 4, foram estes os pontos fundadores, de abertura, cingidos e relançados à prova de fazer saber, com outros, a experiência inconjugável do desejo.

Reinvenção permanente de um transitar ético, que vai da intensão à extensão, para aí fazer retornar o que da verdade foi possível saber?

A vida segue...

Lucia Montes

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Alô! Alô! Da blogger ao blog, a insistência do vazio (um comentário)

Aqui se trança?..


Há que saber!

.Há que saber?



que

saber?

Em fios necessários, oportunos à trama do trabalho, no Tear 4, o texto de Lucia Montes remarca a insistência do vazio, ao modo de cada um, se há do Um, que ouve um outro.
É engraçado pensar, no 'X-te' da questão... o incógnito, que há que saber.
Da exigência do trabalho à cordialidade da forma, não há necessariamente incompatibilidade.
O cordial é o que vem do coração.
Da questão que insiste, desde o que vem da espera ativa, em movimento, até o destino que é sempre o real, do wiederkern,
o coração da repetição...
O núcleo daquilo que se repete...

Alô? Alô?

O texto da Lúcia Montes insiste em que se con-fie!
Confiança em que do trabalho de um analista se diga! E se escreva!
Em comum, a causa forjada na castração.
Talvez num Tear 4, onde se possa tramar, tecer e fiar, sem se fiar.
Talvez a posta em ato, de uma “justa topologia” como sugere Lacan no Seminário 8.
“Justa topologia”, que venha nos recolocando, em nossos trabalhos, e na nossa experiência, na direção da retificação do conceito de transferência.
Desde um ‘no começo era o amor’, passando pelo estrutural da constituição do sujeito, ‘no começo era o Verbo’, pela reflexão ética da direção do tratamento, via a sustentação do desejo, até um ‘no começo é o ato’, o encontro com o real, encontro essencialmente faltoso.
“Justa Topologia”, precisa, apertada, tensionada, restrita..

Pois restrita e delicada é a função do analista de seu lugar de corte, corte que pretenda privilegiar o interstício significante, e que, pelos desfiladeiros da demanda, venha a conduzir o sujeito da análise a um ponto, então, “absolutamente original”.

Alô? Alô?
Você é psicanalista?

domingo, 11 de julho de 2010

Aqui se trança? .... Há que saber!


“Quero marcar um horário. Você é Psicanalista? tô desesperado, você tem que me ajudar!...”
No campo restrito de meus recursos com as cores do desejo entrelaçam-se os fios precisos e necessários à trama do trabalho,

o meu trabalho, o trabalho do sonho, o trabalho de luto...

Um escuta, do outro,

a insistência do vazio que perpassa entre o telefone e a voz que já se fez ouvir que o analista deve estar lá,

onde a causa do desejo não pode se desviar, à deriva, nas palavras.

Mas o que quereria a voz que já indicou que ali há um ‘consultório’ de psicanálise?

De que? De quem ? Oferta?... ou Espera em movimento, que faz girar os discursos?

Sendo assim, por que não o TEAR 4, um ‘blog’ para tranças e traçados?...

e através disso trazer a público o labor-restos do trabalho clínico em vigor ?

Espaço para que alguém se arme de coragem e verifique, com outros, o que há do analista, reapresentando-o no possível dizer do movimento privado da escuta?

Recorrer à escrita da experiência arriscada do desencontro marcado de todo dia, e de cada vez,

e apresentar aqui a voz-escrita que não deixa escapar, na medida do possível,

a trança, dos discursos, das letras....

para então postar sua práxis, quem sabe, paradoxalmente, diante do ‘chiste’ da questão?

Pode ser este um dos alcances da verdade....., é uma aposta,

onde talvez ninguém se exima de uma

certa pegada no sintoma.

A psicanálise depende também desses ‘nós’.

Lúcia Montes.

domingo, 4 de julho de 2010

Transferência ao escrito e Repetição... [na cultura???]



E aquilo que nesse momento se revelará aos povos
Surpreenderá a todos, não por ser exótico
Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto
Quando terá sido o óbvio” [Caetano Veloso, “Um índio”]


 Fazer valer a operação da Transferência ao texto em sua relação com os termos da Repetição, como está posto e postado na experiência de trabalho e publicação no blog Tear 4, tem sido para mim uma exigência de compreender de um outro modo a amarração que há entre a ‘feitura’ do conceito e o tempo de sua apreensão.

O giro que agora se faz indicando novas direções, que, por sua vez, apuram um desprendimento até um outro jeito de fazer sua leitura, vem sendo pontuado nos termos da Transferência e da Repetição. Tais termos ao se entrecruzarem num movimento único, relançam para alcances distintos:

Transferência ->  inconsciente ->  interpretação

Repetição -> gozo -> ato

Este movimento nos leva ao discernimento da concepção do tempo na lógica do inconsciente. Radicado na materialidade do significante e na instancia da letra, vemos surgir sua função de corte com a qual se opera entre o sujeito e o Outro. Esta leitura tem deixado evidente a importância da ‘presença’ do analista enquanto que esvaziamento do ‘sentido’, que na neurose tem a força de obstruir a abordagem do real pelo simbólico.

Fico aqui às voltas com a responsabilidade, destacada por vocês, de insistir em trazer ao texto publico algum testemunho desta operação de escritura do singular.
..O tempo que se dimensiona numa topologia:
‘mais alem’ da rede dos signos [automaton] busca-se tocar o encontro marcado com o real [que escapa] .

..A elaboração analítica é uma práxis:
... se orientada para aquilo que, no coração da experiência, é o núcleo do real.

Reapresento cortes e interstícios para uma pausa...

[O conceito] de Repetição nesta abordagem indica outra direção, que consiste em que Transferência, como posta em ato do inconsciente, e somente assim, é o único manejo que pode nos conduzir ao núcleo daquilo ‘que se repete’.

Lucia Montes