Projeto inaugural do Tear 4

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segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Presença do analista...quem, onde, o quê?




“A presença do analista é ela própria uma manifestação do inconsciente”.


“O inconsciente freudiano é a soma dos efeitos da fala, sobre um sujeito, nesse nível em que o sujeito se constitui pelos efeitos do significante”.


A grande novidade desse texto para mim é o esclarecimento de que o inconsciente freudiano se apresenta diante da presença do analista, enquanto testemunha da perda do sentido lógico cartesiano.
 E que o acatamento e o tratamento desse inconsciente que se manifestará só será possível diante da presença do analista.
A abertura do inconsciente do sujeito se dará no momento em que sua certeza rateia, numa lógica de orientação cartesiana.
Lembrando o inconsciente freudiano como esse campo de linguagem onde a fala rateia perdendo seu sentido lógico, mas ao mesmo tempo mostrando a evidência de uma outra lógica, que reflete o modo particular do sujeito aprender a linguagem, que não está submetida a linguagem do Grande Outro, nesse momento singular, onde o simbólico falha em sua abordagem ao Real.
Por outro lado, é bom ressaltar que o simbólico sempre falhará ao abordar o Real, pois o significante não consegue tudo dizer. E exatamente por isso se diz do simbólico como significante que toca o Real.
Também aí entra a questão da causa. Já que é impossível tudo dizer, a linguagem traz em si a marca do impossível. Só se representa aquilo que não está presente. É ao mesmo tempo a origem e a possibilidade.
A neurose tem a força de obstruir a abordagem do Real pelo Simbólico. Através do processo de análise o sujeito se redimensiona, se reatualiza no des-encontro com o real.
Depois do luto ( através da análise) desse des-encontro, o analisando incluirá um não saber no saber, que tem a ver com o saber do inconsciente, da falta-a-ser, que posiciona o sujeito diante do movimento do desejo.


                                                                                            Simone Caporalli










 

2 comentários:

  1. Simone,
    Você sublinha no seu texto presença do analista-perda do sentido lógico-manifestação do inconsciente.Acatamento, tratamento do ics-presença do analista. Abertura-rata-obstrução do ics pela neurose-presença do analista. Parece que são indicados os movimentos do trabalho da análise, tranças singulares, já que o significante, traz em cada um sua marca de origem e....os nós górdios do real,núcleos de gozo e repetição, só abordáveis via corte-ato, para onde nosso estudo vai nos encaminhando. Allons y!!! Vamos aí! Vamos lá!nó górdio e transferência acho que me encaminha por esta via,a do ato que promove o corte e desenlaça o gozo de seus abrigos, que são muitos!!!

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  2. Simone, a propósito, com seu texto acho que vc já deu conta e a nós, de sua posição de trabalho! Vamos em frente!

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