E aquilo que nesse momento se revelará aos povos
Surpreenderá a todos, não por ser exótico
Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto
Quando terá sido o óbvio” [Caetano Veloso, “Um índio”]
Fazer valer a operação da Transferência ao texto em sua relação com os termos da Repetição, como está posto e postado na experiência de trabalho e publicação no blog Tear 4, tem sido para mim uma exigência de compreender de um outro modo a amarração que há entre a ‘feitura’ do conceito e o tempo de sua apreensão.
O giro que agora se faz indicando novas direções, que, por sua vez, apuram um desprendimento até um outro jeito de fazer sua leitura, vem sendo pontuado nos termos da Transferência e da Repetição. Tais termos ao se entrecruzarem num movimento único, relançam para alcances distintos:
Transferência -> inconsciente -> interpretação
Repetição -> gozo -> ato
Este movimento nos leva ao discernimento da concepção do tempo na lógica do inconsciente. Radicado na materialidade do significante e na instancia da letra, vemos surgir sua função de corte com a qual se opera entre o sujeito e o Outro. Esta leitura tem deixado evidente a importância da ‘presença’ do analista enquanto que esvaziamento do ‘sentido’, que na neurose tem a força de obstruir a abordagem do real pelo simbólico.
Fico aqui às voltas com a responsabilidade, destacada por vocês, de insistir em trazer ao texto publico algum testemunho desta operação de escritura do singular.
..O tempo que se dimensiona numa topologia:
‘mais alem’ da rede dos signos [automaton] busca-se tocar o encontro marcado com o real [que escapa] .
..A elaboração analítica é uma práxis:
... se orientada para aquilo que, no coração da experiência, é o núcleo do real.
Reapresento cortes e interstícios para uma pausa...
[O conceito] de Repetição nesta abordagem indica outra direção, que consiste em que Transferência, como posta em ato do inconsciente, e somente assim, é o único manejo que pode nos conduzir ao núcleo daquilo ‘que se repete’.
Lucia Montes

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